domingo, 8 de janeiro de 2017

Sono, fôlego e paz

Um dia eu disse a um amigo que eu gostava de escrever sobre  histórias que eu teria vivido se minhas escolhas tivessem sido diferentes das que fiz, me pergunto quem eu seria? Onde estaria? Com quem?
Será que eu estaria escrevendo isso as 04:05 de uma segunda-feira? Só porque a insônia me pegou como a muito tempo não pegava... tem cheiro que faz isso com a gente, tem beijo que faz isso com a gente, tem abraço, tem gente, que tira o sono, o fôlego, a paz.
A gente escolhe uns caminhos complicados, meio tortos, esbarra com gente morna e esbarra com gente torta. E é legal imaginar gente diferente, esbarrando o caminho diferente que você teria escolhido seguir. Só não gosto de pensar que eu teria meu sono, meu fôlego e minha paz, porque esse caminho sobre o qual eu escrevo hoje é morno, normal, sem intensidade, sem emoção, lugar errado pra você estar e onde certamente, eu também não gostaria.
Tem umas coisas que a gente sente que não deve publicar, mas pública mesmo assim.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Talvez essa moça tenha te amado

Talvez você possa até ter enxergado o melhor dela, talvez você até tenha sentido vontade de cuidar de toda aquela fragilidade e depois você desistiu por perceber a profundidade daquela menina. Talvez, ela tenha sido só mais uma, garota normal entre misses, cantoras, médicas e atrizes, pobre moça inocente, ou talvez, nem tão inocente assim. Talvez você só percebeu que ela aguentava, outra paixão que ela julgasse intensa. Talvez você já soubesse como aquela moça trata o sofrimento... e, só entrou na vida daquela moça, efêmero, maravilhoso, ágil... um gosto, um cheiro, que outras moças também tiveram o prazer de conhecer... Mas o que você não sabe, é que o coração daquela moça cicatriza com a rapidez da tua pele, e que nele permanece só o que de bom tu fez a moça...

domingo, 24 de julho de 2016

Incongruência, Paciência!

Eu me deparo sempre com minha face autossuficiente, cheia de amor próprio, cheia de mim, cheia de certezas diante do espelho. Incongruência, não? Vivo berrando aos quatro ventos, que não preciso de alguém pra me fazer feliz, solteira convicta e feliz, eu não preciso! Ou será que sim? As vezes eu fico imaginando o quanto nossas metas e objetivos nos fazem acreditar que não precisamos de nada, além de correr atrás de alcança-los... Não Marina, você não precisa dormir, não precisa comer, não precisa descansar, você não precisa de AMOR! E sabe de uma coisa, a gente acaba acreditando, a gente acaba afastando, ou deixando de olhar pra pessoas especiais, Agora, que bobagem a minha, não é mesmo? Quem vive sem amor? (Se for o seu caso, entre em contato, preciso entender como). A gente ama e é amado o tempo inteiro, a gente ama pessoas, a gente ama sonhos, metas, objetivos, a gente ama coisas. O fato é que a gente acaba pondo no topo da nossa lista de amores, as conquistas profissionais, pessoais, financeiras...veja bem uma situação muito clara, você, jovem entre 22 e 26 anos, imagine que você conquistou uma vaga no mestrado dos sonhos fora do país ou uma proposta de emprego irrecusável, você abriria mão de alguma dessas oportunidades pra arriscar viver um relacionamento, ou não acabar um relacionamento muito antigo? Eu respondo por mim, e eu digo que não, não abriria mão de mim, é o melhor caminho? Não faço ideia! Mas eu sei que ultimamente eu estava afastando o amor de mim, de alguma maneira eu tive medo de amar e de ser amada e de depois ter que escolher a outra opção que não fosse o amor. E agora eu quero, eu preciso... Mas afastei quem estava disposto a me amar, mesmo que não fosse minha escolha quando eu precisasse escolher... O grande e real problema, é que a gente vai vivendo, as pessoas vão passando nas nossas vidas, e a gente vai tentando acertar no grande amor, vai tentando calçar o pé num sapato apertado e a cada nova tentativa é um calo novo, a espera angustiante de que chegue logo o sapato que lhe caiba e que não aperte seus calos que vieram com a caminhada... Por alguém que nos ame, de um jeito bobo, de um jeito torto, daqueles que conseguem tirar de você aquela cara de bobo, apaixonado, e quem está ao redor, identifica, você é um ser amado. Eu não sei o que eu quis dizer exatamente com esse texto, na realidade, eu nunca sei. Esse texto é mais um desabafo... no fim das contas, eu sei que ele não está disposto a me amar, mas de alguma maneira, eu o amo, e é estranho dizer isso, sentir isso, e aceitar... É estranho querer que um dia alguém tenha a sorte de ser amado por ele,  desse jeitinho  que eu consigo amá-lo e querer bem. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Incoerências

Essa semana parei pra reler todos os textos desse blog, e estava pensando, como as coisas mudam, não é? Como a gente cresce e começa a pensar e agir de forma diferente. Como a gente achou que tinha amado e na verdade não faz ideia do que estava acontecendo.
Ai eu parei e pensei: "Nossa já estou grandinha para as paixões platônicas", mas não meus caros, não estou!  Ainda que tenha uns 20 e poucos pesando nas costas,as paixões vem e vão, numa frequência e força muito menores do que aos 15, mas elas vem e vão. Me faltam reservas, mas não nego pra vocês, se estou escrevendo aqui, é porque alguma coisa de estranho, platônico e apaixonante anda acontecendo comigo.
Mas é diferente, dentro de mim já existe um muro entre o mundo real e as mil faces que crio de mim, entre quem são as pessoas de verdade e aquelas que crio e me apaixono perdidamente, platonicamente. E às vezes nem sou eu ali, apaixonada por alguém criado por devaneios.
Eu não sei se alguém me entende, porque até eu acho minha cabeça mais bagunçada que meu quarto, e olha que minha vida nem é bagunçada assim.
Acho que é Elenita que fala sobre a diferença da escritora e da pessoa, a gente se inventa, reiventa, muda e se descobre quando é pra falar de amor. Chega a ser engraçado,  mas é libertador.
Acho que vai ser difícil vocês lerem um texto meu daqui pra frente que fale o quanto eu amei alguém e não fui amada. Tenho achado mais interessante me descobrir reflexiva e coerente, afinal, venhamos e convenhamos, difícil encontrar coerência em alguém tão loucamente apaixonado, sabe-se lá pelo que.
 .

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Coração Cega!


  Me pergunto todos os dias, todas as vezes, se vale a pena insistir ou lutar pelo "amor" de alguém. Lutar! Palavra que remete à desesperança, só peço desculpas a vocês por usar esse tipo de palavra, mas é que ultimamente não tenho acreditado muito, nem no amor, nem na minha capacidade de ser amável, apaixonante. Agora me respondam, quando é que a gente sabe a hora de deixar partir? De não se importar, deixar pra lá, aceitar as coisas do jeito que estão, sofrer o que tiver que sofrer, chorar o que tiver de chorar e retomar a vida, começar do zero, dar espaço para o coração enxergar quem gosta, quem vale apena, ah! O mais difícil é isso, deixar o coração livre para encontrar alguém, geralmente nossos corações acabam tornando-se pedras de gelo. 
 A gente costuma escolher a maneira errada de agir, e acaba achando que todo mundo depende da nossa vontade de brigar pra dar certo, de fazer dar certo. É, às vezes insistir é dar murro em ponta de faca, é derivar e integrar, é bater na mesma tecla, só tira de nós tempo e energia, e como já havia dito, insistir nos cega! Não deixa que vejamos o surgimento de um caminho novo, diferente, quiça melhor! E nesse tipo de "busca" procurar e encontrar nem sempre é o suficiente.  E isso nem é pessimismo. É sobriedade. E é dentro da gente mesmo que às vezes a gente precisa reunir forças pra permitir que o mundo siga, porque ele já seguiria, quer você queira, quer não. Por ele mesmo, ainda que sem você.

 "É que às vezes é bem difícil manter a energia positiva. A gente se indigna e amaldiçoa o universo e perde um pouco aquela perspectiva maior de que nem sempre coincidem, com os nossos próprios desígnios, os desígnios de Deus. E aí você até pode pensar "lá vem Marina com esse papo de crente de novo", mas... Quantas e quantas vezes na sua vida você não achava que perdia e Deus mandava o maior de todos os presentes pra você?"

 É que é bem difícil continuar acreditando quando a gente perde. Mas é por isso que é justamente nesses momentos que a nossa fé precisa ser maior.


 Dói. E vai doer um pouquinho ainda. Mas a gente recomeça.


E isso nem é pessimismo. É sobriedade. É vontade de aceitar que a gente não tem controle sobre tudo (e às vezes tem controle sobre nada), mas nem por isso vai perder a fé que nos mantém acreditando.
  Se eu não tivesse levado todas as quedas que já levei, não seria a mulher que sou hoje. E eu gosto da mulher que sou hoje. 

sábado, 12 de maio de 2012

Te juro amor eterno!


  Hoje, especialmente, não venho aqui escrever sobre decepções ou pessoas que não merecem se quer uma palavra, hoje venho aqui pra falar de amor, amor, amor, amor e amor, mas é amor de verdade, é amor que supera defeitos, distância, barreiras, vidas e dimensões. Falo do melhor abraço, do olhar mais lindo e sereno, da maior paciência, da confiança, da minha maior saudade, e que saudades, e que angustia quando penso que meu primeiro dia das mães em que eu tenho tantas conquistas pra dividir é aquele em que estou distante, de uma maneira enlouquecedora. Sem poder receber o melhor abraço do mundo, sentir o melhor perfume, ouvir as mais lindas palavras ou talvez as mais severas. 

  Eu só queria olhar nos teus olhos mãe, e agradecer, por tudo que sou, pelo meu caráter, pela minha personalidade, por me incentivar a fazer o que gosto, por me ensinar a escrever, por me dar de herança o dom de escrever, por me ensinar a andar, a trilhar no caminho certo, por me ensinar a rezar, e me fazer enxergar que minha fé é o que me move, por me amar incondicionalmente,  me ensinar a amar o próximo e me mostrar o quanto é importante amar alguém , mas apesar de tudo, e acima de tudo amar a mim, em primeiro lugar. E infelizmente, é que não consigo fazer, porque o amor, o amor que tenho aqui dentro de mim, sabe aquele que me move e me dá forças pra continuar? É justamente por você, minha mãe!
  Queria pedir desculpas também mãe, mas são tantos pedidos de desculpas que acho melhor não me estender,  e mais uma vez agradeço, por apesar de tantos erros, apesar de tantos defeitos, ainda tenho você pra contar,  pra abraçar, chorar quando tudo der errado outra vez ou quando o choro for de alegria.
  Desculpa! Por sofrer algumas vezes, eu sei que sofre junto comigo, e que te dói por vezes não poder fazer muita coisa a não ser me aconchegar no teu abraço, e por alguns segundos me fazer esquecer de tudo! Desculpa por estar longe quando você mais precisa de mim! Desculpa por tudo! Mãe, eu sei que tenho dito isso com pouca frequência, mas é que eu te amo, te amo, te amo, e nós sabemos que é amor tem um tamanho e uma intensidade que não se consegue mencionar, FELIZ DIA DAS MÃES, melhor mãe do mundo! 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Saudades e Mentiras


  Tanto tempo que não escrevo, na verdade, há quanto tempo que não lido com letras que me dizem algo além de x²+y²+1=0. A faculdade? Vai muito mal obrigada, a vida amorosa, igualmente agradeço, é incrível que a vontade e inspiração de escrever só vem nessas horas onde você está na "merda", me desculpem a palavra, é que acho que esqueci como se usam palavras bonitas, as últimas eu gastei com quem não merecia, pra variar, é minhas queridas e queridos, antes que digam que só venho aqui para contar as fatalidades que acontecem na minha doce-amarga vida, fiquei muito feliz nessas ultimas semanas, fiz as pazes com uma das pessoas mais importantes na minha vida, uma amizade longa, e que teve um erro de percurso por causa de uma das besteiras que andei fazendo. Felicidade? Sim, demais, apesar de tudo, família distante, mas saudável, amigos distantes, mas de verdade, novos amigos por perto, amores? Ih! Essa é a parte complicada, sempre foi, não poderia mudar agora, e querem saber? Eu nasci para isso, quebrar a cara, sofrer e vir aqui escrever pra vocês, dizer o quanto doeu e milhões de etc, acho que eu sirvo de um exemplo a não se seguir. 
  Paro pra pensar em tudo, absolutamente, analiso se certo, ou errado, sem me arrepender, afinal, não se arrepende de algo que se quis fazer, ou que achou melhor, chego a mais uma conclusão, não me dou bem com pessoas dentro de relacionamentos ou lances (?) porque não gosto de ser de mentira, não gosto de viver mentiras, e é isso que eu acho dos relacionalances que vivo ou que vivi, são mentiras, mentiras contadas sobre amor, sobre sentimentos, falsa ternura, falso carinho, olhares que me pareciam tão verdadeiros, hoje são a mais afiada lâmina de mentira, que cortam e machucam cada momento pequeno, cada mínimo detalhe. Enquanto eu, entregava a minha mais pura verdade, sem recebê-la de volta.
  Se você é uma mulher absolutamente decidida e não dá muita importância, não funciona, se você é doce, gentil, carinhosa, e se entrega de corpo e alma, também não funciona, agora me digam, me expliquem o que se deve ser? Ou se deve ser alguma coisa, sempre fui contra esse jogos de sedução que ensinam das revistas adolescentes, e sim, eles não funcionam, como já era de se esperar, minha teoria de agir naturalmente está indo por água-abaixo, ou existe alguma técnica ou bruxaria especial ou meu natural é muito assustador, ou... eles não sabem lidar com essa minha segurança e intensidade, com meu carinho disfarçado, com minha proteção exagerada, e por vezes com minha maneira de me proteger das quedas que eles possam a vir me causar. Alguém me explica? Já estou cansada de tentar me entender, de tentar entender essas mentiras que me cercam eternamente, e que fazem questão de me magoar.
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  Acho que o verdadeiro problema é que tanto eu como você, não ama quem tem ao lado, não gosta de verdade, fingi, permanece por aparência e idealiza uma pessoa pra si, perfeita, amável, fiel, apaixonante, romântica,"outras cositas más" e de tanto querer esse alguém o enxerga no primeiro ou primeira que passa pela cama, e acha que vale a pena deixar aquele que permanece ao teu lado com todos os defeitos, mas com um carinho imenso, por aquela perfeição criada por você, e que em cima do personagem que o senhor(a) autor(a) fez o favor de criar, existem defeitos, defeitos, mais defeito e nem tanto carinho, afeto, ternura e tesão assim... Taí as pessoas confundem muito o desejo com qualquer tipo de sentimento, o problema é que o desejo passa se o sentimento não for forte o suficiente para mantê-lo de pé! Nossa, quantas vezes eu fiz isso, e sempre acabo quebrando minha cara.
Aí de repente, escrevo, escrevo, escrevo, várias coisas sem nexo algum, e me pego pensando em você, em você não, em nós, nas conversas, nos momentos, nas mentiras, em todas essas mentiras que passei com você, poxa! Eram mentiras, mas eram tão gostosas, porque não mentiu mais um pouquinho pra mim, eu podia me deixar enganar, só mais uma vez... Antes, não agora! Minha vontade de ser enganada foi embora junto com a cor loira e desbotada dos meus cabelos, que agora negros, funcionam como um escudo que me faz mais fria, mais dura, e me protege desse teu sorriso bonito e do teu olhar de menino, menino que não sabe o que fazer, menino sem rumo, sem caminho, sem juízo. 
  Quando eu volto a escrever novamente? Não sei! Torçam por mais uma decepção, ou por uma paixão avassaladora, como as de comédias românticas (romance muito meloso não, por favor!)

*Estava com saudades daqui
** Não gostei desse texto, mas acho justo compartilhar com vocês

segunda-feira, 16 de maio de 2011

(im)permanências.



Eu tenho pensado tanto esses tempos e escrito tão pouco, talvez porque não consiga escrever sobre o que, ou quem eu esteja pensando.  Embora ele tenha chegado, a sombra ainda está escondida em algum lugar, e eu não consigo encontrar, se eu ao menos soubesse onde, ficaria mais fácil de clarear essa parte escura que ainda está em alguma parte de mim. Talvez o mistério daquele olhar não permita que essa sombra de dúvidas e incertezas vá embora, o mesmo mistério que me encanta e que me faz ver outra pessoa dentro daqueles olhos, o mesmo mistério, o mesmo sorriso, o mesmo cheiro, talvez seja loucura da minha parte, é que ainda não entendo o que ele representa, estou confusa, eu sinto que deveria ter ido, e não fui. Que deveria ter dito, e não disse, me sinto patética, como uma personagem de livros na banca da esquina, sempre exposta. E simplestemente finjo que não é comigo. A gente fica buscando a felicidade, são tantas tentativas frustradas, e no fim a felicidade é uma coisa tão pequena, simples, é de pele, de sentir na pele uma leveza, um sorriso, uma abraço... Que bobagem não é? Que bobagem! Mas que delícia de bobagem. Se sentir encantado é uma coisa tão gostosa, só não consegui entender se nós gostamos mesmo da pessoa ou das sensações que essa pessoa nos faz sentir? Sinceramente! Não sei... Só sei que gosto de me sentir instigada pelo mistério daquele olhar. 
Será que a vida é muito mais que isso? .... Encontros fortuitos que acontecem entre almas? E o instante daquele momento seria eterno... e bonito. Se eu fosse dona de um roteiro escreveria algo assim. Um fragmento. Se olharam porque se olharam. Sem romantismos, mas cheios de afeto.Tumblr_llboeqnxll1qirow8o1_500_large
E eu, telespectadora, concluiria em pensamentos... É que é de inconsistências, principalmente, que são moldados os nossos destinos. Aqui e ali. Por (im)permanências. É que tudo, mesmo quando é definitivo, não é mais que por enquanto.... Enquanto se vive.


*
Mais um texto que não gostei, mas ainda não acho justo deixar vocês sem ele.

** 

Me perdoem tanto tempo sem postar.

***

Estava com saudades daqui. 

sábado, 9 de abril de 2011

Encontros e espelhos.

Hoje fui bem indiferente com alguém que me irritou porque me disse a verdade. Eu ignoro a "verdade" às vezes... porque eu sei que ela é construída e, porque no meu jeito reflexivo de ser, eu sempre preferi construir meus mundos. Mas paredes continuam sendo paredes mesmo quando a gente as pinta de vermelho. E castelos só são castelos se também tiverem concreto, ou são apenas amontoados de areia.

Eu tenho que aprender o que fazer com essa pessoa que aparece em mim de vez em quando... e que me olha, assustada, e brava, e corajosa, com vontade de futuro, desafiando a rotina e minhas áreas de conforto. Preciso dizer a ela que é tanto um erro subestimar-se quanto considerar-se fortaleza.

Porque eu não sei o que eu vou fazer quando eu conseguir aquilo que busco. Meio como se pra continuar sonhando eu nunca pudesse alcançar sonho. Parece loucura... Será que deliberadamente, por ter medo de ser, eu mate qualquer externalidade que me constitua?! Tantas e tantas vezes uso a escrita como um escudo que me protege é de mim, e do que sinto, do que eu possa sentir... Meio como se eu tematizasse antes eu tivesse algum controle sobre gênio, rumo e direção. Às vezes me sinto como um maremoto de ondas cataclísmicas prestes a destruir cidades inteiras... mas a destruição é sempre interna. E também é sempre interno o desejo vazio que fica. É que me sobram tantas faltas...

Eu não quero ser plena, porque acho que isso me daria uma responsabilidade muito maior que essa de agora e que, mesmo precária e limitada, já é tão pesada pra mim... Me sinto confusa, mas confusos não estamos nós todos?
*

Mas me doeu... "...em vez de zanzar em todos os lugares e não se construir em nenhum ponto identificável." A maior diferença entre a gente nem é você ser denso, prolixo e cínico como eu te disse em outro texto. É que eu sempre vou "mostrar a eles meu medo, mostrar a eles a minha dor". Eu não sei fazer diferente e nem quero. Mas o que você não entende é que já é essa a minha escolha... Eu odeio espelhos e adoro fairytales. "Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead..."




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Diálogo Cantante


- Digo que não ligo, mas não vivo sem você.
- O seu caso é o tempo passar.
- Eu era bem melhor, mas tudo deu um nó.
- Aponta pra fé e rema.
- Sem você sou pá furada.
- Teu choro não me faz desistir.
- Assim que quer, assim será.
- Se eu te troquei, não foi por maldade.
- Cala essa boca, que isso é coisa pouca perto do que passei!
- Um capricho essa rixa!
- É que eu já sei de cor qual o quê dos quais e poréns.
- O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
- Cansei de procurar o pouco que sobrou.
- Pois vá embora, por favor.
- Senta aqui, espera que eu não terminei.
- Quero dançar com outro par pra variar, amor.
- A gente ria tanto desses nossos desencontros.
- É bom às vezes se perder sem ter porque, sem ter razão.
- Ai, não fala isso, por favor.
- Ah, faça-me o favor!
- Faz tanta falta o teu amor, te esperar...
- Não há porque chorar por um amor que já morreu.
- Eu já não sabia mais como dizer que eu te quero tanto.
- Diz que é homem feito, sei não.
- Se quer saber, deixa estar. Eu quis te convencer, mas chega de insistir.
- Pois é, não deu.
- Vê se te alimenta. E não pensa que eu fui por não te amar.